segunda-feira, 7 de maio de 2018

relatório de Excursão Geográfica realizada no lago Niassa

O presente relatório de Excursão Geográfica realizada no lago Niassa surge no âmbito da cadeira de Educação Ambiental, cadeira lecionada no 4oano do Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia com habilitação em Ensino de Historia, pertencente a Faculdade de Ciências de Terra e Ambiente, da Universidade Pedagógica de Moçambique, Delegação de Niassa.
Para tal tem como objetivo geral: Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável; e Objectivos específicos: ter uma população com domínio de conteúdos de preservação do meio ambiente, explorar os diversos problemas ambientais, aproximar mais a universidade com a comunidade, ter uma costa limpa, menos agredida e atraente.
O trabalho apresenta uma estrutura de acordo com as normas vigentes nesta instituição de ensino, em que para além da introdução, apresenta o desenvolvimento, onde são arrolados diversos aspetos sobre o tema, a conclusão, onde far-se-á a síntese do trabalho e por fim as referências bibliográficas onde são apresentadas as obras que foram consultadas com vista a realização deste trabalho
Dentre várias metodologias, para a realização deste trabalho foram essenciaisobservação direta, a revisão bibliográfica compilação de dados e análise critica, com as técnicas de entrevista.










A excursão geográfica é um método de estudo muito importante no ensino da geografia, porque põe em contacto direto dos alunos com a paisagem (natural e humanizada) tornando os conhecimentos de factos geográficos mais sólidos e formando alunos capazes de facilmente integrar-se na sociedade.
Desde sempre que o trabalho de campo tem constituído para o ensino da geografia uma metodologia de trabalho indispensável. “É através da observação direta que o geógrafo recolhe grande parte da informação que mais tarde, em gabinete ou laboratório, compara, correlaciona e generaliza”, ALEXANDRE & DIOGO, (1997:96).
Para tal foi necessário seguir as fases normais para a realização desta excursão, em que:
1-      Identificar e selecionar o tipo de lições que os alunos podem retirar da observação direta da paisagem.
2-       Avaliar se a informação que se pretende que os alunos interiorizem através do trabalho de campo não será melhor difundida por outros meios.
3-      Proceder ao exame e utilização prévia das metodologias conducentes a aprendizagem através da paisagem, quer pelos professores em trabalho com os alunos quer pelos próprios professores trabalhando como aluno.
4-      Atender as inter-relações entre o trabalho de campo e a prática geográfica na escola, não restrita ao funcionamento do grupo disciplinar.
5-      Proceder, sempre, a observações de campo globalizantes, as únicas que permitem contextualizar os diferentes elementos da paisagem.
6-      Assumir que o trabalho de campo reforça, dadas as suas características intrínsecas, as abordagens interdisciplinares.
Isto foi feito muitos dias antes da realização da viagem de estudo, para que todos se familiarizassem com o tema que iriamos desenvolver no local de estudo.

A preparação da excursão implicou uma discussão prévia no início do semestre com o docente da cadeira de Educação Ambiental, junto com os estudantes do 4oano, curos deLicenciatura em Ensino de Geografia, com vista a selecionar os temas programáticos que se pensem convenientes a tratar, bem como a respetiva calendarização.
“Esta fase de trabalho, constitui momento de definir os programas das visitas, a fim de facilitar a sua posterior a provação em conselho pedagógico e permitir a informação aos diretores de turma e encarregados de educação”. ALEXANDRE & DIOGO (1997:104).
Ainda nesta fase de preparação da excursão o professor deve “consultar tudo o que existe sobre o assunto da excursão; se se trata de visita a uma empresa deve faze-lo previamente, se a excursão é ao campo, deve explorar antecipadamente o terreno.”DUARTE& LINGUA, (1996:27).
É com base nas consultas, visitas prévias e outras informações obtidas, o professor deve elaborar o plano de realização da excursão; Itinerários, conteúdo do trabalho do professor e dos alunos, e outros dados importantes.
Desta planificação constaram:
Ø  O tema da visita: Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentavel.
Ø  Os Objectivos visados: Sensibilizar a população em matéria de gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, identificar os principais problemas ambientais, apoiar a população com bens adquiridos pelos estudantes, explicar o perigo da pratica da pesca com recurso a redes finas, sensibilizar a população a recorrer à praticas ambientalmente saudáveis na costa.
Ø  Datas 13 a 14 de Novembro de 2015, horas departida  06horas e de chegada previstas 07h30minutos.
Ø  O itinerário (esboço geral);
Ø  Meio de transporte a utilizar foi automóvel tipo coaster da Universidade Pedagógica.
Ø  A turma  envolvida: Única 4o ano Curso de Geografia.
Ø  Outras informações (materiais necessários: Tendas, panelas, pratos, colheres, garfos, copos, cobertores, e outros. alimentação: arroz, frango, farinha de milho, repolho, carapau, alho, cebola, tomate, caldo de galinha entre outros).
Ø  Para distribuir na comunidade a turma preparou sal e sabão.

Ø  É caracterizado por existência de uma praia (conjunto de sedimentos);
Ø  A água é doce;
Ø  Na terra firme há existência de algumas rochas tipo magmática, para além de sedimentares;
Ø  Há predominância de algumas vertentes;
Ø  O lago Niassa localiza-se na parte ocidental da província do mesmo nome, numa depressão tectónica, encaixado entre rochas cristalinas e constitui um verdadeiro mar interior. Dos 28.678km2, partilhados por Moçambique, somente 7.000km2 Lago Niassa pertence a Moçambique;
Ø  O Lago Niassa é o maior Lago de origem natural e ocupa a 10ª posição entre os maiores lagos do Mundo e a 3aposição a nível da Africa.

Logo da nossa chegada ao Lago Niassa o docente dr. Francisco Banda Eduardo Agostinho Cauta, deu orientações a turma no geral e indicou onde cada grupo poderia se dirigir para fazer palestras, entrevistas, distribuir sal e sabão.
Cada grupo tinha a responsabilidade de desenvolver os seus trabalho a partir de um tema pré-selecionado e desenvolvido a respetiva planificação para o bairro. O 3ogrupo que é meu, tinha planificado sobre o saneamento do meio.

Acerca deste tema o grupo fez palestras e entrevistou sete famílias, e ao longo da praia de chuanga em que tivemos vários entendimentos acerca da questão de saneamento do meio onde para melhor compreensão e segundo o nível académico do grupo alvo foi preciso usar linguagens que fossem acessíveis a perceção da própria comunidade.
Antes de trazer o entendimento da comunidade de Micongo acerca da questão do saneamento do meio, dizer que há um grande problema quando se trata deste assunto, não porque a comunidade não saiba a necessidade de ter um meio limpo para a conservação da saúde comunitária, talvez seja por negligência.
O maior problema da existência de lixo em torno do caminho, assim como nos quintais verifica-se a questão de casca e caroços de manga, como o principal problema que pude verificar ao longo da minha caminhada naquele ponto, como ilustram as imagens a seguir.
Fig. 2:lixo acumulado num lugar.
Para alem desta situação de ter lixo de uma forma desorganizada que também é do conhecimento que são um risco para a saúde da própria comunidade, também encontramos uma praticas que favorecem o meio ambiente assim como os residentes a redor, que é a deposição do lixo em locais seguros, que são os tambores em que logo que enche o lixo é levado para se depositar em locais de menos risco.
Fig. 3. Tambor de deposição de lixo.



Das sete famílias entrevistadas onde quase todas têm a base da economia e sustento a agricultura tradicional e a criação de pequenas aves como: galinha, galinha-do-mato, patos e outras espécies.
A população tem noções sobre a necessidade de manter um ambiente saudável e sustentável, e a necessidade de manter as aguas do lago limpas evitando a deposição dos resíduos sólidos a beira do lago, mas alguns residentes chegaram a reclamar a questão de existência de garrafas quebradas ao longo da praia sendo muito perigosas visto que muitas vezes se tem caminhado descalço o que pode causar ferimentos. A comunidade reclama pelo facto de que os turistas quando consomem bebidas alcoólicas deixam as garrafas na praia e por muitas vezes quebradas.
        Fig.5 – Resíduos sólidos na praia.
Os entrevistados também falaram das doenças que podem ser provocadas por ambientes sujos, onde exemplaram da ocorrência da Cólera num passado recente na sede municipal de Metangula, onde também destacaram que o ambiente sujo pode provocar malaria, mau cheiro entre outras doenças.
Falando da questão de um ambiente cheio de sujidade conseguimos observar um ambiente que não seja saudável para os residentes a redor, como ilustra a imagem a seguir.


De acordo como os entrevistados percebeu-se que a comunidade local consome águas do lago Niassa, para beber, cozinhar, banho, lavar roupa e entre outras actividades. Regista-se a falta de água potável e nem aguas canalizadas para o consumo, assim como o não conhecimento das técnicas de tratamento de água.
Quando perguntamos dos riscos que corriam em consumir aquela agua, principalmente para lavar e cozinhar, alguns dos moradores souberam dizem, mas o grupo não se limitou simplesmente na coleta da informação dos entrevistados mas também tentou clarificar e explicar a necessidade de ferver a agua antes de consumir para evitar as doenças diarreicas como a cólera, assim também lavar a mãos e frutas (realização de higiene pessoal).

Ø  Poluição do lago partir do uso de compostos químicos ao longo do lago é o caso de sabões e assim como a deposição dos rezidossólidos.
Ø   Poluição do solo provocada por contaminação (agrotóxicos, fertilizantes e produtos químicos) e descarte incorreto de lixo;
Ø  Falta de água para o consumo humano, causado pelo uso irracional (desperdício), contaminação e poluição dos recursos hídricos;
Ø  Aquecimento Global, causado pela grande quantidade de emissão de gases do efeito estufa, este é um problema que afeta todo o planeta Terra.

2.9 Principais dificuldades ao longo da pesquisa

Ao longo da pesquisa houveram algumas dificuldades, visto que é uma comunidade rural e pouco escolarizada, tao pouco sabem se comunicar com a língua nacional e o grupo não dispunha de um elemento que sabe comunicar-se em nhanja, tivemos a dificuldade de comunicação com certas pessoas. Mas também por parte do grupo não tivemos faculdade de usar termos pouco cientificas como “saneamento do meio que seria limpeza”.








Infelizmente nosso planeta é afetado por vários problemas ambientais, muitos deles provocados por diversas ações humanas. Estes problemas afetam a fauna, flora, solo, águas, ar e etc.
A excursão geográfica foi de muita importância para os estudante envolvidos porque ajudou a conhecer mais acerca dos aspetos ambientais principalmente no ambiente rural.
A população tem noções sobre a necessidade de manter um ambiente saudável e sustentável, e a necessidade de manter as aguas do lago limpas evitando a deposição dos resíduos sólidos a beira do lago, mas alguns residentes chegaram a reclamar a questão de existência de garrafas quebradas ao longo da praia sendo muito perigosas visto que muitas vezes se tem caminhado descalço o que pode causar ferimentos. A comunidade reclama pelo facto de que os turistas quando consomem bebidas alcoólicas deixam as garrafas na praia e por muitas vezes quebradas.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ortografia

1.      Ortografiaortografia
Para BERGSTRÖM&REIS (2002), A palavra ortografia deriva das palavras gregas ortho que significa correcto e graphos que significa escrita, portanto, ortografia é a parte da gramática normativa que ensina a escrever correctamente as palavras da língua culta,  através do conjunto de símbolos (letras e sinais diacríticos), a forma como devem ser usados, a pontuação, o uso de maiúsculas, etc.
Um grande problema para as pessoas no que se refere a ortografia são as palavras que tem pronuncia e grafia parecidas mas significados diferentes, estas palavras são chamadas de homónimas (colher (substantivo - colher (verbo). Elas podem ser  homónimas homógrafas - possuem a mesma grafia, mas com pronuncia e sentido diferentes - (gosto, substantivo e gosto, 1ª pessoa do singular do verbo gostar) e homónimas homófonas - possuem a mesma pronúncia, porém a grafia e o sentido são diferentes - (concerto (sessão musical) — conserto (reparo).

1.1 Princípios ortográficos: fonético vs. Etimológico

O princípio fonético dos alfabetos estipula que cada letra deve representar um único som, e que cada som deve ser representado por uma única letra. Na prática, a relação entre letras e sons é imperfeita na maioria das línguas, sendo impossível de ser plenamente atingida em idiomas como o português, nos quais o número de fonemas é maior que o número de grafemas que os representem.
O princípio fonético também enfrenta obstáculos pela tendência natural da língua falada de se modificar com o tempo, deixando o sistema de escrita obsoleto. O princípio etimológico preza a manutenção de grafias não fonémicas em nome da memória da origem e evolução das palavras.
Uma ortografia perfeitamente fonética é possível no caso de línguas de poucos falantes e sem grande variação linguística (variações dialectais ou sociolectais), mas deixa de ser desejável no caso de idiomas com uma grande distribuição geográfica (como o português). Nesse caso, é impossível uniformizar a escrita, pois uma grafia torna-se fonética para uma variante do idioma, mas não para outra.

1.1.1 Irregularidades

A ortografia portuguesa tem, por um lado, sons representados por mais de uma letra, e, por outro, letras que podem representar mais de um som. Algumas dessas irregularidades existem para todos os falantes do português, mas a maioria só vale para alguns dialectos.

1.1.2 Irregularidades supradialectais

1.1.2.1 Duplas homofónicas

G ou J : quando vêm antes de e e i, são pronunciados da mesma forma. Seu uso é determinado somente pela origem das palavras.
O J é preferido no lugar do G na escrita de palavras indígenas brasileiras e nas palavras africanas, como acarajé, jibóia, jiló, paje, Jirau, caboje (ou caborje), jenipapo, Jequiriti, jerimum (por essa regra, as cidades de Bagé e Mogi das Cruzes deveriam ser grafadas com J, mas os habitantes dessas cidades preferiram manter a grafia histórica, com G).
O G é preferido no lugar do J na escrita de palavras de origem árabe, como agi (peregrino que faz o hajj, viagem a Meca), alfageme, alfange, álgebra, algema, algeroz, algibebe, algibeira, almargem, argelino (e Argel e Argélia), auge, gengibre, gergelim, gesso, gibão, Gibraltar, Gidá (segunda maior cidade da Arábia Saudita), ginete, giz, girafa, hégira
X ou CH: o X é preferido em palavras de origem indígena, africana e árabe: abacaxi, maxixe, orixá, xadrez, xamã, xará, xavante, xaria, xador, xingar, enquanto o CH é preferido nas adaptações de palavras do latim ou de outras línguas derivadas do latim, ou mesmo germânicas: achar, chave, chuva, flecha, mancha, gaúcho, salsicha, etc.
S ou SS ou X : o x em muitas palavras soa como a letra s, tanto em seu valor sonoro (como em exemplo e exumação) como em seu valor surdo (como em próximo).

1.1.2.2 Polifonias

E eO : cada uma dessas letras representa duas vogais diferentes, uma aberta (/ɛ/ e /ɔ/) e outra fechada (/e/ e /o/). Na escrita, geralmente não há indicação, como se verifica na homografia de besta /ɛ/ (arma antiga também chamada de balestra) e besta /e/ (animal quadrúpede).
QU e GU : desde 1945 em Portugal e 2009 no Brasil, essas sequências antes de E ou I podem representar tanto /k/ e /g/ quanto /kw/ e /gw/. O U é pronunciado em equino (relativo a cavalo), mas não em equino (ouriço-do-mar do género Echinus).
X : entre vogais, pode ter quatro valores: /ʃ/, /ks/, /z/ e /s/ (peixe, sexo, exemplo, próximo). O dicionário Houaiss reconhece também um valor fonético adicional, /gz/, existente somente como uma de três possibilidades de pronúncia no prefixo hexa (como em hexaedro).

1.1.2.3 Letras mudas

H : letra sem valor fonético próprio em português. Aparece nos dígrafos ch, lh e nh, em algumas interjeições, e em começo de palavra para preservar a escrita de origem (em latim era escrito para representar o som /h/, como nas línguas germânicas actuais).

1.1.3 Irregularidades dialectais

As irregularidades seguintes ocorrem na pronúncia de algumas regiões, mas não de outras.

1.1.3.1 Homofonias

B vs. V : no norte de Portugal e na Galiza, b e v são ambos pronunciados como o b no restante do mundo lusófono, tornando boa e voa homófonos.
E vs. I, O vs. U : em posição átona, e pode ser pronunciado como i, e o, como u, tornando júri homófono de jure (excepto em partes do Sul do Brasil). A ocorrência desse fenómeno fora de fim de palavra (tornando cumprimento homófono de comprimento) é um traço frequentemente associado ao português europeu, mas também ocorre em muitos dialectos brasileiros, embora em menor escala (BAGNO, 1999:68).
L vs. U : em quase todo o Brasil, l em fim de sílaba é pronunciado como u, tornando mal e mau homófonos.
LI vs. LHI : em algumas regiões do Brasil, ambos são pronunciados como "lhi", tornando velinha e velhinha homófonos.
De acordo com o Formulário Ortográfico de 1911, “S/SS vs. C/Ç : pronunciadas identicamente na maior parte do mundo, ainda se diferenciam em partes do norte de Portugal (especificamente Trás-os-Montes e Alto Minho): c (antes de e ou i)/ç são pronunciados /s/ (como no Brasil e no sul de Portugal), enquanto s/ss representam o som distinto /s̺/ (um fonema que acusticamente parece estar entre o "s" de saia e o "x" de xadrez, e que é o som da letra S também no espanhol de Castela). Isso faz com que paço e passo não sejam pronunciados da mesma forma. No galego (considerado por muitos uma variante da língua galego-portuguesa, tal como o português, ainda na actualidade), c antes de e e i pode pronunciar-se como /θ/ (o fonema do dígrafo "th" em inglês)”.
 Na ortografia portuguesa, o Ç foi abolido em começo de palavra onde etimologicamente deveria figurar: sapato, em vez de çapato. O Ç é sempre preferido em lugar de SS na escrita de línguas ágrafas, como as indígenas brasileiras, ou na transliteração, como do árabe (Iguaçu, madraçal, Moçambique).
S vs. Z : originalmente, e ainda nos dialectos transmontanos e alto-minhotos, se pronunciam distintamente; nessas regiões, z se pronuncia /z/, e s entre vogais, /z̺/ (um som intermediário entre o z de zero e o j de jarro). No português padrão, cozer é homófono de coser, e paz, de pás. A ortografia portuguesa desautorizou o uso de z em fim de sílaba átona ou antes de consoante, excepto nos advérbios em -mente (como vorazmente). Assim, escreve-se Cádis em vez de Cádiz e asteca em lugar de azteca.
SC/SÇ/XC : no português europeu padrão, essas sequências são pronunciadas /ʃs/. No Brasil e em partes de Portugal, são pronunciadas assim como C/Ç, tornando decente e descente homófonos.
X vs. CÇ : nos dialectos em que ç é homófono o s, o cç de ficção não se diferencia do x de fixo.
De acordo com o Formulário Ortográfico de 1911, “X vs. CH : originalmente, e ainda em regiões do norte de Portugal  (especificamente Alto-Minho e Trás-os-Montes), além da Galiza, x representa /ʃ/, enquanto ch representa /tʃ/; no resto da Lusofonia, ambos representam /ʃ/, tornando xá e chá homófonos. Como regra de aplicação, o x é usado depois de ditongos (caixa, trouxa), depois de en- (enxurrada, enxoval) excepto quando a palavra é derivada de outra já com ch (cheio-encher-enchimento, charco-encharcar), nas palavras de origem indígena, africana ou asiática (xará, muxoxo, xeque), e nas palavras de origem inglesa originalmente escritas com sh (xampu, xerife, sendo chute uma excepção consagrada pelo uso) ”.
X vs. S : no Brasil, extracto e estrato se pronunciam da mesma forma, sendo o X e o S equivalentes. Em Portugal, no entanto, podem ser pronunciadas diferentemente. Nesse país, o prefixo "ex" varia de pronúncia entre /eis/ e /is/, enquanto "es" só se pronuncia /is/. Segundo Gonçalves Viana, a pronúncia varia entre dialectos, entre indivíduos e entre contextos de fala num mesmo indivíduo.
Ditongos: os ditongos decrescentes ai, ei, oi e ou têm pronúncia variável nos países de língua portuguesa; em grande parte dos dialectos, um ou mais deles podem ser pronunciados como monotongos, tornando cera homófono de seira. Por outro lado, em muitos dialectos do Brasil, certos monotongos podem ser pronunciados como ditongos, fazendo más ser pronunciado como mais (Formulário Ortográfico de 1943).

1.1.3.2 Polifonias

S entre consoante e vogal: irregularmente, S tem valor sonoro ([z] ou [z̺]) em obséquio e em palavras com o prefixo trans- seguido de vogal, como transacção, transe, trânsito e transobjectivo. A regra é o S ter valor surdo entre consoante e vogal, como se verifica em observar. Muitos falantes o pronunciam sonoro em subsídio e subsistência, embora essa pronúncia seja tradicionalmente considerada incorrecta. O S soa surdo em palavras formadas pelo prefixo trans- e outra palavra iniciada por S, como transexual (trans + sexual) ou transiberiano (trans + siberiano); nesses casos, só não se grafa SS porque esse dígrafo só é permitido entre vogais (TEYSSIER, 1984:24).
 Em consequência disso, é necessário que o falante conheça a etimologia da palavra para inferir a pronúncia de palavras como transição.
Essa irregularidade não existe para os galegos, que não costumam sonorizar o S (casa se pronuncia /kas̺a/ e não /kaz̺a/).

1.1.4 Letras mudas

Para LUSA, (2015) “Consoantes mudas: nos países que não o Brasil, até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico, em 2009, eram grafados consoantes que não eram pronunciadas; na maior parte dos casos, c e p nas sequências cç, ct, pç e pt. Em muitos casos, era possível prever a partir da fala o uso dessas consoantes, nas ocasiões em que marcavam a abertura da vogal precedente”.
Mesmo nesses casos, no entanto, não era possível saber se a letra a se utilizar era c ou p tendo como referência somente a fala.

1.1.5 Fonemas não grafados

Em muitos dialectos, certos encontros consonantais são frequentemente desfeitos na oralidade com a introdução de uma vogal epentética entre as consoantes. Essa vogal não é registrada na escrita. No Brasil o fonema introduzido é /i/, fazendo com que segmento seja pronunciado assim como seguimento.

1.2 Importância da ortografia

Sendo a ortografia a parte da língua responsável pela grafia correcta das palavras faz-se necessário trabalhá-la de uma maneira intensa e activa nos alunos, já que se percebe grande dificuldade nesse aspecto.
Segundo SILVA (2009:20), A ortografia age na parte gráfica e funcional da escrita.
O ensino da ortografia deveria acontecer desde as classes iniciais, onde os alunos aprendem a ler escrever e falar de uma maneira correcta. No entanto, por defender a ortografia como um meio eficaz de aprender a ler, escrever e falar correctamente, é que pensamos ser de extrema importância enfatizá-la de uma forma mais intensa no ensino.
A língua portuguesa precisa ser vista e ampliada de uma forma mais plena no processo de ensino dos alunos, ensinando-os não a obrigatoriedade de aprender, mais a consciência de saber a escrever, falar e a ler correctamente, fazendo desse acto uma constituição cidadã de si próprio, adquirindo o saber por valor e consciência (SILVA, 2009:20).

1.3 A língua portuguesa e a trajectória do acordo ortográfico

Devido a colonização portuguesa, o português tornou-se a sexta língua mais falada no mundo e a terceira dentre as línguas ocidentais, pois, em cada lugar conquistado os portugueses deixavam a língua como meio de comunicação e de domínio, que com o tempo, passou a apresentar características particulares em vários aspectos, de acordo com a historia, a cultura e as influências das demais línguas existentes em cada país, onde o português foi incorporado. Portanto, existem vários países que falam o português, e devido as características e particularidades de cada um.
Teve início em 1911, a história das reformas ortográficas, com a implantação da república em Portugal. A reforma de 1911, foi a primeira em Portugal que modificou completamente o aspecto da língua escrita, foi ai que começou as divergências, pois essa reforma foi feita sem qualquer acordo com o Brasil, ficando os dois países com ortografias completamente diferentes. Pois Portugal ficou com a ortografia reformada enquanto o Brasil continuou com a velha ortografia. Em 1931 ocorreu o 1° Acordo Ortográfico desta vez com a iniciativa da academia brasileira de letras e o apoio da academia das ciências de Lisboa, que não distinguia-se quase nada da ortografia Portuguesa de 1911, dando inicio a um longo processo de convergências entre as ortografias dos dois países, devido a isso houve em 1943,em Lisboa uma convenção ortográfica que veio dar origem ao Acordo Ortográfico de 1945,este foi adoptado em Portugal, mas no Brasil não. Já em 1971,foi criado um novo acordo ortográfico entre Portugal e o Brasil, o qual diminuiu um pouco mais a diferença entre a ortografia dos dois países, dentre elas os acentos gráficos responsáveis por 70% das divergências entre as duas ortografias oficiais.
As negociações recomeçarão em 1973, e em 1975, as academias conseguirão chegar a um novo acordo que não foi aprovado oficialmente, em 1986,o actual presidente do Brasil da época promoveu um encontro entre os países de língua portuguesa, que resultou num acordo ortográfico que nunca chegou a ser implementado. No entanto 4 anos mais tarde, em 1990, foi feita em Lisboa uma nova reunião, resultando um novo acordo ortográfico da língua portuguesa, que veio atender as críticas feitas à proposta de 1986,e que só passou a vigorar no Brasil em 1°de Janeiro de 2009,após ter sido sancionado pelo presidente em 2008.

1.3.1 O novo acordo ortográfico e sua implantação

Sabemos que existem vários países no mundo que falam o português, como: Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau,São Tomé e Príncipe e posteriormente,o Timor Leste,esses países falantes da língua portuguesa, assinaram em 16 de Dezembro de 1990,o "Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa",que mais tarde foi aprovado no Brasil pelo decreto legislativo n°54,de 18 de Abril de 1995,após é promulgado pelo governo brasileiro em 29 de Setembro de 2008,criado com o objectivo de conseguir a unificação ortográfica entre os países falantes do português. Oactual acordo impõe várias mudanças em nossa ortografia, especialmente quanto o emprego do hífen e à acentuação,assim como em relação à abolição do trema e à introdução das letras K,W e Y no alfabeto oficial.A lei que instituiu a reforma no Brasil estabeleceu um período de transição de 4 anos.Até 2012 as duas grafias serão consideradas correctas no país.Após o prazo de adaptação apenas a nova grafia adoptada no acordo será reconhecida (LUSÍADA, S/d).
Segundo o embaixador brasileiro Lauro Moreira (2009), em entrevista ao jornal "Mundo Lusíada" ele acredita que o novo ortográfico vai ser incorporado em pouco tempo no Brasil e que contribuirá para que o português seja aceito como o língua oficial em entidades internacionais."Estamos lutando para que o português possa realmente ocupar, de facto,o lugar que merece pela quantidade de falantes que tem no mundo",afirmou.
Enquanto o linguistaEvanildoBechara (2009),diz que o acordo ortográfico dá margem a diversas interpretações dos especialistas.Mesmo assim, não haverá dificuldades para a construção de um vocabulário comum entre os países lusófonos. "São formas distintas de interpretar o acordo, a questão é chegarmos a um denominador comum",declara o gramático e filólogo.
Segundo Godofredo de Oliveira Neto, presidente do Instituto Internacional da língua portuguesa, diz ao jornal, "que se a convenção internacional não for adoptada igualmente por todos os países", o acordo fica desacordado.




Conclusão

Depois da abordagem sobre o tema, o grupo concluem dizendo que a ortografia da língua portuguesa é o sistema de escrita padrão usado para representar a língua portuguesa. A ortografia do português usa o alfabeto latino de 26 letras complementado por sinais diacríticos.
O princípio fonético dos alfabetos estipula que cada letra deve representar um único som, e que cada som deve ser representado por uma única letra. Na prática, a relação entre letras e sons é imperfeita na maioria das línguas, sendo impossível de ser plenamente atingida em idiomas como o português, nos quais o número de fonemas é maior que o número de grafemas que os representem.
O princípio fonético também enfrenta obstáculos pela tendência natural da língua falada de se modificar com o tempo, deixando o sistema de escrita obsoleto. O princípio etimológico preza a manutenção de grafias não fonémicas em nome da memória da origem e evolução das palavras.
Uma ortografia perfeitamente fonética é possível no caso de línguas de poucos falantes e sem grande variação linguística (variações dialectais ou sociolectais), mas deixa de ser desejável no caso de idiomas com uma grande distribuição geográfica (como o português). Nesse caso, é impossível uniformizar a escrita, pois uma grafia torna-se fonética para uma variante do idioma, mas não para outra.














Bibliografia

BAGNO, Marcos. "Preconceito linguístico: o que é, como se faz". Edições Loyola, 1999.
BERGSTRÖM, Magnus, REIS, Neves: Prontuário ortográfico e guia da língua portuguesa. Lisboa: Editorial Notícias, 2002.
Formulário Ortográfico de 1911.
Formulário Ortográfico de 1943
SILVA, Maurício (org). Ortografia da língua portuguesa: história, discurso e representações. São Paulo, 2009. 
TEYSSIER, Paul História da Língua Portuguesa (tradução de Celso Cunha), Lisboa, Livraria Sá da Costa Editora, 1984.
Lusa (12 de Junho de 2015). Acordo Ortográfico em vigor a partir de Outubro em Cabo Verde. Notícias ao Minuto. Consultado em 28 de Junho de 2016.
LUSÍADA, M. J.L. A. Apesar de divergências a nova ortografia será adoptada rapidamente no Brasil, Disponível em: http://www.mundolusiada.com.br/.../cult426-jan 09.htm >.Acesso em 28/09/2016.